Os erros do SWU

O festival de música SWU (Starts With You), realizado entre os dias 9 e 11 desse mês, acabou se mostrando mais uma desculpa para se fazer uma festa, pecando no seu principal objetivo segundo a divulgação: sustentabilidade. Claro, o show foi ótimo, com bandas incríveis e apresentações extraordinárias. Queens of the Stone Age fez um grande show, Rage Against the Machine fez seu primeiro no Brasil, muito bom por sinal; entre outros. Mas a sustentabilidade ficou de lado nessa história toda.

Aqui segue a lista dos 7 pecados da (in)sustentabilidade:
1 - Transporte: A pouca sinalização existente nas estradas era confusa e faltavam informações para os estacionamentos. Também era difícil saber onde eram os "bolsões" - lugares mais afastados da fazenda de onde os ônibus partiriam para o evento - e onde era de fato estacionamento, junto ao festival. O tíquete que dava direito à volta aos bolsões também foi mais uma confusão, principalmente após o show do Rage Against the Machine, quando uma fila de 3 horas lotou a estreita estrada que saía da fazenda, por isso, os ônibus já não davam conta de levar somente aqueles que realmente tinham comprado o tíquete. Com isso tudo, teve gente que preferiu caminhar até a rodovia, correndo sérios riscos de algum acidente. "A imagem dos carros parados em fila, com uma multidão caminhando a passos lerdos, lembrava uma cena de filmes apocalípticos, como O Dia Depois de Amanhã ou Independence Day".
2 -
Comida própria só no camping:
Não se podia entrar com comida na área do festival e, mesmo explicitado no site, isso não é comum em eventos tão grandes, principalmente com áreas de camping, causando um grande problema, pois os alimentos que as pessoas, ingenuamente, levavam eram jogados fora. Isso criou uma pilha enorme de alimentos disperdiçados. Restava então, se alimentar de alimentos caros e menos saudáveis, não restando também muita coisa para os vegetarianos, já que a comida destinada a eles acabou rapidamente. E para comer, você tinha que comprar sua ficha antes, o que nos leva a outro problema:
3 - Fichas diárias:
A fichinha de alimentação, que era comprada para comer e beber nas praças de alimentação, era de papel reciclado, porém só era válida para um dia. Papél reciclado ou não, isso gerou um volume extenso de lixo, quando o ideal era se pensar em algo menos descartável. Sem contar que após comprar a ficha e pegar o alimento, ele era servido em pratos de isopor e copos plásticos.
4 - Pratos e Copos:
Seria difícil pensar em alguma coisa para substituir os copos e pratos descartáveis, claro. Mas algumas coisas não precisam de pratos, talvez um guardanapo fosse suficiente; e as bebidas, mesmo em latas, eram acompanhadas do seu copinho. Isso mostra que o festival não seguiu o que os próprios estandes de ONGs pregavam e nada fez para diminuir a quantidade de lixo gerada, além de não permitir que as pessoas com conciência - que levavam sua própria caneca - ajudassem, pois era proibida a entrada com qualquer copo, mesmo que de plástico.
5 - Poucas latas de lixo:
Haviam alguns pontos de coleta, feitos de material reciclado, e sinalização era bastante clara - o que era destinado a dejtos recicláveis e o que não era. Mas isso é um avanço relativamente pequeno, devendo ser encarado como obrigação de qualquer festival que se diz sustentável. O problema era que as latas eram poucas, insuficientes para o público, embora não fosse difícil segurar sua latinha até o próximo lixo.
6 - Excesso de marketing verde:
É legal saber as novas políticas dos patrocinadores, mas era praticamente isso que você via no festival. Faltou incentivar o público a agir, como dar sementes e lugar para plantar, enfim, alguma coisa, existem várias maneiras. A idéia que tinha lá era da roda-gigante movida a pedaladas. "Aham, senta lá, Claudia, pedala..."
7 - Banheiros no camping:
Quem se aventurou a acampar teve que encarar banheiros químicos sem papel, com filas grandes, e na hora de tomar banho, filas de 3 horas. Isso por uma chuveirada supostamente econômica, pois 7 minutos por pessoa não é lá tão sustentável.

O evento, embora legal, pecou um pouco na idéia original. Mas teve, também, seu acerto:

O caro estacionamento:
Caso você fosse com menos de 4 pessoas, era cobrado 50,00 reais para guardar o carro nos bolsões e 100,00 para o estacionamento. Se fosse com 4 ou mais pagava-se 30,00 e 50,00, respectivamente. Isso fez com que várias pessoas optassem por combinar carona.

fonte: Super Interessante Online.

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