Crítica: Quem Quer Ser um Milionário?

“Quem Quer Ser um Milionário?” é tudo que um filme brasileiro queria ser, mas não foi. Ele trata de miséria, violência, discriminação como já estamos acostumados as nossas películas, contudo, ao contrário da maioria dos filmes brasileiros desse gênero, ele não parece um documentário, ele realmente é um filme e passa a impressão de ser um filme de verdade; além de não ter um narrador, recurso que o cinema brasileiro adora utilizar e que é mal visto por cineastas e pessoas ligadas a área. O filme foi de fato comparado a Cidade de Deus, apesar do tema parecido ambos possuem focos distintos, e tal comparação chegou a atrapalhar o filme indiano.

A narrativa tem um grande mérito, o de fazer drama sem apelas para choro, desespero e mortes desnecessárias; o romance, também presente, segue a mesma linha, ta lá mas sem ser chato, meloso; possuindo também imperfeições mais evidentes do que a idealização de um amor impossível; mérito para o roteiro e também para o diretor que escolheu não ir pelo caminho do óbvio, até mesmo a tortura é comedida, choca no nível que tem que chocar, nada além.

Talvez o único ator conhecido do grande público - ok, nem tão grande assim - é o jovem Dev Patel, que participou de duas temporadas do seriado britânico Skins - Quem quer ser um milionário também é uma produção da terra da rainha, embora com locações e parte do elenco na Índia - ele é talentoso, para quem já conhece o trabalho, mas no filme não foi exigido algo de extraordinário dele; contudo o peso recai sobre as crianças que pegaram a parte mais pesada do roteiro, se saíram muito bem e foram um dos destaques.

A forma como o filme foi contado é o grande mérito do diretor Danny Boyle, mesmo sem a edição primorosa de Cidade de Deus, ele consegue fazer dos flashbacks uma história linear, embora esteja em vários tempos, e que prende quem está assistindo, mesmo caminhando para um final previsível, que acaba por se confirmar.

O filme foi um grande sucesso de público, crítica e premiações, ganhou o Oscar de melhor filme em 2009 - foi o grande vencedor com 8 estatuetas, além de vários outros prêmios. Talvez ele empolgue mais pessoas que vivem no primeiro mundo, para um brasileiro não tem muita novidade - quem não está acostumado a passar debaixo de um viaduto cheio de casas de papelão? - portanto é um bom filme, com certeza, mas fica a sensação de não ser tão genial assim, como a crítica internacional coloca. É ótimo, mereceu os prêmios, mas a mim não empolgou, além de ficar a sensação de "já vi isso antes", mas isso não é culpa de quem escreveu o livro e muito menos do roteirista, mas sim do nosso cotidiano e dos filmes produzidos no Brasil.

Você vai se impressionar em como a Índia se parece com o nosso Brasil.


Sinopse: Jamal Malik (Dev Patel) tem 18 anos, vem de uma família das favelas de Mumbai, Índia, e está prestes a experimentar um dos dias mais importantes de sua vida. Visto pela TV por toda a população, Jamal está a apenas uma pergunta de conquistar o prêmio de 20 milhões de rúpias na versão indiana do programa Who Wants To Be A Millionaire? . No entanto, no auge do programa, a polícia prende o jovem Jamal por suspeita de trapaça. A questão que paira no ar é: como um rapaz das ruas pode ter tantos conhecimentos? Desesperado para provar sua inocência, Jamal conta a história da sua vida na favela - onde ele e o irmão cresceram -, as aventuras juntos, os enfrentamentos com gangues e traficantes de drogas e até mesmo o amor por uma garota. ( Yahoo Cinema )

Trailer:



Trailer mal feito em?


Jai Ho - toca no final do filme ( o vídeo pode conter spoilers ):



Versão americana de Jai Ho:

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