O Limão Aprova - Amanhecer de Mike Malakkias

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O texto abaixo é de autoria do Mike Malakkias.

Amanhecer.


Estranha sensação de frio interrompe o silêncio desta sala. Fazendo as vozes, silenciosas, se calarem. Ao fundo um som de harpa toca uníssona, como uma orquestra de um único tom. O corpo encontra-se em estado de consciência alterada. Junto à harpa, ao fundo, ondas de um mar bravio, cada vez mais próximas, quebram num eterno vai e vem. A terra antes seca, agora, começa a se encher de minúsculas gotas se sereno, sereno que passo a passo se transforma em chuva, em tempestade. Olho para o céu e sinto as gotas tocarem meu rosto como lagrimas que caem dos olhos, olhos da vida, olhos do infinito.
Já não estou mais naquela sala, encontro-me no topo de uma encosta, contemplo a imagem formada pelas ondas, que a esta altura, fervilham no mar. Sou apenas um ponto em destaque na paisagem. Acima de mim, sou uma brisa , livre, solto na imensidão deste sonho, deslizando fora do tempo, fora do lugar, fora do corpo. Abaixo de mim, sou uma rocha, sou a terra molhada, firme, sendo moldado lentamente pela água, pelo vento e pelos meus próprios passos.

Vibrações de todos os tipos envolvem o meu ser, ouço vozes, ouço músicas. Viro meu rosto e vejo uma cabana de pedra já velha, já gasta pelo tempo. Sigo em direção a ela e adentro em busca de abrigo. Ali dentro me sinto protegido, mas, percebo que toda esta proteção me impede de ver a paisagem tão linda que se formou lá fora com a doce tempestade que caía. Então, volto para a chuva e caminho em direção à encosta, no caminho posso sentir o cheiro de flores silvestres, me contagio com o quadro que se forma à diante. Caminho cada vez mais rápido, porem, tropeço em uma pedra. Minhas roupas de linho branco ficam sujas de lama e grama. Nada que tire a vontade de chagar na encosta, entretanto, ao me levantar escorrego e caio mais uma vez. Minhas roupas antes sujas agora se rasgam. O vento sopra forte neste momento. Desencorajado, com medo, pondero a hipótese de parar por ali.

Mais uma vez ouço vozes, mas desta vez não sei de onde vem. Já estou de pé. Sigo meu caminho escorregadio e lamacento, equilibrando-me pelas rochas, pela grama, pela lama. A chuva, antes tempestade, volta a serenar. O que me importa a roupa suja se a chuva limpou? O que me importa a roupa rasgada se estou coberto pelo céu? O que me importa o medo se não estou sozinho? Pois, eu ouvi vozes, alguém está ali. O que me importa o frio se o sol já está chegando? E agora... Estou novamente na encosta, vejo o mar a minha frente, sinto o cheiro das flores, ouço novamente a harpa. O céu é o mesmo. Mas a terra mudou. Minhas antigas pegadas se apagaram e novas pegadas se formaram, o oceano inteiro diante do meus olhos.

Na primeira tempestade avistei uma cabana e fui em direção a ela, poderia ter ficado ali para o resto de minha vida, então, não teria visto mais uma vez a paisagem desta mesma vida. Poderia ter ficado ali, naquela cabana para sempre, nunca teria visto o mundo com meus próprios olhos. Poderia ter desistido quando cai pela primeira vez, ou quando cai pela segunda, morreria naquele lugar, estagnado. Mas optei por ver se o horizonte era outro. E uma nova paisagem encheu meus olhos. Queria que tudo fosse mais fácil, sim... entretanto, querer não é poder. Buscar é poder.

Busquei um sonho e hoje vejo o quanto estava acordado o tempo todo. Encare seus sonhos, encare sua realidade. Veja o mundo com a grandeza do adulto e não com a inocência da criança. Busque... um dia encontrarás

Mike Malakkias
mike@malakkias.com

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