Novo show do U2 é "um espetáculo descomunal"



Se os discos se converteram numa justificativa das turnês, e o tamanho e proporção das mesmas ilustra a dimensão do artista que as protagoniza, o U2 é uma banda enorme, esse tipo de banda que, com precisão, se denomina de estádio. Hoje à noite, num Camp Nou lotado, o grupo irlandês agraciou seus fãs com um espetáculo descomunal fundamentado num cenário que por seu desenho facilitava a visibilidade de qualquer ponto do recinto. Pensando grande, o U2 é enorme. Esta é a chave da nova turnê mundial que começou ontem à noite em Barcelona.

E não querem ser "dinossauros", ou não totalmente. Somente assim se entende que o show começa com quatro músicas do seu último álbum, uma forma de dizer que ainda fazem parte do presente artístico. Assim, Breathe, No Line On The Horizon, Get On Your Boots e Magnificent, uma parte criada pro formato de estádio, que pode inflamar uma múmia com o seu som estrondoso. Mais tarde, no meio do show, soou a quinta música, Unknown Caller, com karaoke incluso no telão. Antes lembraram de Michael Jackson com Angel of Harlem mesclada estrofes de suas canções e, ainda antes, o primeiro clássico que fez o público pular, não à toa foi Beautiful Day. Porque assim, uma vez completa a cota de atualidades no início, o show foi uma volta aos momentos mais populares na trajetória da banda, que entusiasmou a multidão com marcos como "I Still Haven't Found What I'm Looking For", "The Unforgettable Fire", "City of Blinding Lights", "Vertigo", "Sunday Bloody Sunday", "Where The Streets Have No Name", "Pride (in the name of love)", "One", com Bono vestindo a camisa do Barça... Também, já no bis, tocaram With or Whitout You. Uma loucura, um repertório para render multidões.

Além da garantia de um setlist de efeito aprovado ao longo dos anos, a idéia do espetáculo, seu conceito, foi um dos elementos centrais da noite. Temos que dizer que o palco, por mais que o U2 afirme se inspirar em Gaudí - imaginamos que a inspiração em París seja a Torre Eiffel -, lembrou poderosamente o 'exprimidor' que Philippe Starck desenhou para Alessi, entre outras coisas, porque ambos evocam uma nave espacial. Debaixo da tenda, um palco circular que não girava permitia a visão de todos os pontos do estádio (e vender mais locais), aumentado por um incrível telão circular retrátil de altura variável e impecável definição. Um anel exterior circundava o palco e abrigava os espectadores que ficado na fila dias antes, e a estes se uniam duas passarelas que tinham movimento circular em sua volta. O 'exagero' técnológico acabou numa conexão ao vivo com a Estação Espacial Internacional (ISS), onde as mensagens de preservação do meio-ambiente foram mais relevantes. Vistos de cima, devemos parecer muito insignificantes.

No entando, um eventual desapego permitiu achar a falta de 'algo mais' na criatividade. Salvo em alguns momentos nem a iluminação, nem as projeções, nem a realização do telão se sobressaíram, deixando a impressão de que todo o talento acabou na estilosa concepção tecnológica do cenário. Ainda assim, o épico da banda, o tom das suas composições, o majestoso som da noite e os necessários momentos de solidariedade, mensagem de Desmond Tutu inclusa, mostrou o melhor do U2. Em um mundo portátil e digitalizado, apenas o 'grande' não se pode levar no bolso. Isso é U2, provavelmente a última banda de estádios, o pouco do que restou do século XX.

Fonte: El País
Tradução: U2 Brasil.

Trecho do show em Barcelona no Jornal da Globo.

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