A questão ambiental na RPPN do Caraça.


A reserva particular do patrimônio natural – RPPN - do Caraça está localizada nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, a nordeste do Quadrilátero Ferrífero no estado de Minas Gerais. Situada a 120 quilômetros da capital Belo Horizonte.

A região central de Minas Gerais, na qual o parque do Caraça se situa, é uma área de característica climática Tropical, mesclando os biomas da Mata Atlântica e do Cerrado. O clima Tropical possui duas estações bem definidas, uma quente e úmida e outro, no meio do ano, mais amena e seca; logo, na época de estiagem, as queimadas encontram um campo fértil para proliferar.

A queimada é uma característica do cerrado, serve como renovação de parte do bioma. No entanto, tais queimadas naturais ocorrem em períodos longos, dando tempo para o bioma se restaurar e recuperar a sua força. Devido à presença antrópica o Cerrado vem sofrendo queimadas sistemáticas e em períodos muito curtos, seja por um mecanismo arcaico de agricultura, acidente ou até mesmo por um ato criminoso e sem justificativa.

No caraça a queimada também é fruto da ação antrópica, mas possui características peculiares. É comum a desova de veículos roubados nas montanhas da reserva, que são jogados e, caso explodam, podem iniciar uma queimada sem precedentes, pois terá como alimento, além das folhas secas, o combustível do veículo. O turismo acaba impactando o Caraça, pois algumas pessoas deixam lixos ou fazem rituais religiosos, que usam velas, e não apagam ou limpam o que levaram. Tocos de Cigarro também é sempre um potencial risco para a reserva, tendo em vista que muitos visitantes passam e jogam as guimbas, ainda acesas, para fora do carro.

É notável que todas essas ações desrespeitosas ao meio ambiente poderiam ser evitadas se a população tivesse o mínimo de instrução e educação, mesmo que o Caraça possua um sistema de vigilância, com câmeras e guardas motorizados, é impraticável vigiar todo o parque, sobretudo à noite quando as câmeras ficam inoperantes. Trabalhos de educação ambiental poderiam ajudar na minimização de tais impactos, iniciativa essa que o Caraça está apoiando, mas é um trabalho de longo prazo e relativamente pequeno perto do tamanho das populações do entorno, sobretudo de Nova Lima e Belo Horizonte.

Percebe-se que o Caraça possui espécies de flora únicas, especialmente adaptadas para aquela região e que sem ela não sobreviveriam. Elas ajudam a compor uma área de captação de água e formação de nascentes de rios e alimentação de lençol freático; muito visada pela mineração que faz pressão política para reduzir a área da RPPN, uma vez que o subsolo da região é composto de, sobretudo, minério de ferro, fazendo parte do quadrilátero ferrífero e cercado de mineradoras como AngloGold, MBR e Vale.

Além das mineradoras vizinhas, que causam poluição sonora e tremores de terra com as suas explosões, o Caraça é vitima da sua própria fonte de renda, o ecoturismo. Veículos e pessoas transitando já são um potencial impacto, sobretudo as trilhas de motos e de pessoas, que compactam o solo impedindo a formação vegetal de crescer nas trilhas e favorecendo a lixiviação na época de chuva. Lixos deixados nas trilhas, nos acampamentos e outras atividades humanas, também são um problema recorrente, embora o parque oriente os visitantes a não terem esse tipo de atitude. Logo o Caraça, por estar no meio de uma malha urbana, é vitima de diversas ações que geram impactos ambientais, urgindo a necessidade de uma educação ambiental mais efetiva e, sobretudo, com o apoio da mídia para divulgar ao maximo a necessidade de preservar essa importante reserva.

Em tempo: Texto TODO escrito por mim, Lucas Sasdelli, se copiar favor manter a referência e o devido link para o meu blog, esse aqui em que você está lendo, obrigado.





1 comentários:

regina disse...

nossa lugar melhor do que ai ta pra existe

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