Parada Gay de São Paulo será menos colorida esse ano.


As pardas gays surgiram como forma de protesto, contra a perseguição da sociedade civil e da força opressora do estado, que prendia, espancava e matava gays assumidos. Um dos principais expoentes era Harvey Milk, primeiro político eleito nos EUA que era assumidamente homossexual. No entanto, vejo que a parada gay brasileira virou um carnaval fora de época, perdendo um pouco do seu objetivo, afinal há muito o que lutar sobre direitos homossexuais no Brasil - criminalização da homofobia e união civil entre pessoas do mesmo sexo, dentre outros.

Contudo, o carnaval gay desse ano vai perder um pouco da sua cor, veja notícia abaixo:

Babado forte
Casas noturnas e sites retiram seus trios elétricos da Parada Gay

Entre os gays, costuma-se usar o termo "babado forte" para falar de confusões e afins. Pois a expressão vem sendo utilizada com frequência após as negociações entre a associação da Parada Gay paulistana e os donos de casas noturnas, cujas relações não andam nada cordiais. O arco-íris ficou cinza devido a discordâncias financeiras que levaram a uma debandada de boates e sites. Em 2008, seis trios elétricos de empresas de entretenimento participaram do desfile. A próxima edição, marcada para 14 de junho, corre o risco de ter somente dois: um da drag queen Salete Campari e outro de um guia de endereços GLS. É que a Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (GLBT), ONG de São Paulo que promove a passeata, aumentou de 5 000 para 10 000 reais a taxa de inscrição. Além disso, cada nome de patrocinador exibido nos carros irá custar 5 000 reais adicionais – o que até faz sentido, pois a marca ficará exposta a um público estimado pelos organizadores de cerca de 3 milhões de pessoas. De quebra, cada empresa terá de contratar o dobro do número de seguranças exigido nas edições anteriores. Somados taxas e gastos com aluguel de equipamentos, DJs e decoração, a conta não fica em menos de 40 000 reais. "Tantas restrições tornam nossa participação inviável", afirma André Almada, proprietário da The Week.

Ricardo Morellato, dono da boate SoGo, aponta outra razão para a queda de braço. "Os clubes, que levam o público, pagam caro, enquanto ONGs e sindicatos desfilam como convidados." De fato, a associação isenta de taxa de inscrição as entidades de classe e do chamado terceiro setor. "Elas lutam pela causa o ano todo, não vão à avenida fazer marketing", rebate Manoel Zanini, diretor-geral da parada. Algumas exigências da organização evidenciam que o clima será mais de ativismo político que de badalação. Será proibido contratar cantores ou usar microfone nos trios. Organizações como a CUT e o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo terão um minuto de fala para reivindicações. A cada meia hora, o som dos DJs será interrompido para a execução do jingle Sem Homofobia, Mais Cidadania. Pela Isonomia dos Direitos, tema da festa neste ano. "A alma do evento era a disputa entre as casas para ver quem levava os melhores DJs e os foliões mais animados, mas isso acabou", lamenta Jamil Pessoa, sócio da Bubu Lounge Disco. Alexandre Santos, presidente da Parada Gay, diz que nenhum empresário descontente o procurou para negociar. "Nosso lema é a inclusão."

Passeata milionária

3 milhões de pessoas
participaram da última edição (estimativa dos organizadores)

1 milhão de reais
foi o orçamento de 2008

920 000 reais
desse valor vieram de órgãos governamentais

40 000 reais
é o custo médio para ter um carro no evento

10 000 reais
é a taxa de inscrição cobrada de casas noturnas e sites

320 000 turistas
vieram à cidade por causa da Parada Gay

Fontes: São Paulo Turismo e Associação da Parada do Orgulho GLBT
Fonte: Veja São Paulo.



Trailer do filme MILK.


2 comentários:

Valéria Toledo disse...

Bom, que as Paradas do Rio e São paulo estavam virando uma verdadeira RAVE aberta nós sabemos, mas por outro lado, é essa alegria que nos diferencia de outros movimentos. Não podemos destruir um espaço adquirido como esse e nem uma Parada tão frequentada como a de São Paulo, por dinheiro.
Discordo e acho muito infelizes as palavras do Manoel Zanini sobre as ONGS e CASAS NOTURNAS "Elas lutam pela causa o ano todo, não vão à avenida fazer marketing", dando uma interpretação de que casas gay não são importantes, pelo contrario, sem elas, não haveriam muitas das relações GLS, até parece que as ONGS lutam sozinhas, cada um de nós lutamos diariamente pela nossa causa, e nem deveriamos estar sendo representado por pessoas tão radicais, e agradeça muito ele em ter locais (como as casas noturnas) para divulgar eventos e acontecimentos que interessam a nossa classe! São casas que investem muito no nosso conforto, preparadas para nos receber, e não se fazem "The Weeks" da noite pro dia! Então era melhor ficar calado, 10.000 reais é exploração sim, e independente do valor, eu nunca vi o Sr. Zanini no chão e nem entregando panfleto pela homofobia em porta de boate! Muito facil ser diretor da Parada Gay de SP, quero ver no Piauí! Não vamos agora, depois de tantas etapas, desmerecer as nossas boates, como senão fosse elas as propulsoras de tudo isto, penso que cada setor social tem a sua importância ecada um de nós, ONG, CLUBES o que for teêm a sua, pois sabemos que ninguem irá à Sp pelos lindos olhos verdes da Parada Gay, e sim, para usufruir dos âmbitos sociais GLS maravilhosos que SP oferece! Achei muita ignorância e infelicidade nas palavras.

Lemon Blog disse...

Parabéns pelo comentário Valéria.

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